Trauma e pulsão à luz de Sándor Ferenczi

A  teoria do trauma de Sándor Ferenczi propõe reformulações técnicas e teóricas na proposta terapêutica da psicanálise. Os chamados casos-limites, muito estudados por Ferenczi, e frequentes na clínica atual permitem outras concepções acerca do desenvolvimento psíquico e da natureza do trauma. Nesses casos, o trauma teria origem em momentos mais primitivos da constituição subjetiva, onde mecanismos de defesa são desencadeados por processos psíquicos anteriores à ação do recalque.

Ao contrário das propostas mais tradicionais, o campo da representação psíquica já não se apresenta como a via de acesso ao conteúdo do trauma, o que leva a técnica psicanalítica clássica ao encontro com a noção de irrepresentável. Uma reformulação sobre a natureza do trauma e que ajuda a compreender o seu lugar no tempo das experiências clínica e psíquica. O traumático é reconhecido como o lugar do irrepresentável, onde o trauma não coincide com o recalcado e com a fantasia, mas com a relação entre o traumático e o pulsional. No campo da clínica psicanalítica tal pensamento levanta questões sobre as propostas dos modelos de tratamento, já que o trauma é compreendido como algo fora do modelo do recalque e, portanto, fora do campo da representação e da linguagem.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Reforma Psiquiátrica e Atenção Psicossocial

Sobre a relação entre linguagem, demanda e desejo no pensamento de Lacan